E assisti ao filme " Misericórdia ", do diretor francês Alain Guiraudie, que fez o aclamado" O Estranho No Lago ".
O longa traz de volta á cidade onde trabalhou como assistente do padeiro na juventude, Jérémie (Félix Kysyl), que hoje mora em Toulouse.
É que o tal padeiro, e seu primeiro patrão, faleceu e ele foi prestar suas condolências á sua mulher, Martine (Catherine Frot), que fica contente com a presença do rapaz.
Fica meio implícito os desejos e o que aconteceu entre Jérémie e o marido de Martine no passado.
Bem, passado o enterro, o rapaz fica hospedado na casa de Martine, que não o deixa retornar á Toulouse no mesmo dia.
E isso causa uma certa inquietação no filho de Martine, Vincent (Jean-Baptiste Durand), que é casado e tem um filho pequeno, que talvez saiba de alguma coisa que possa ter acontecido quando Jérémie morava na cidade.
Vincent ora parecia que queria pegar Jérémie e beijá-lo loucamente, e hora queria matá-lo pois desconfiava que queria estar ali para dormir com a mãe dele.
Outro ponto de interrogação é que Walter ( David Ayala), que mora sozinho parece que também no passado flertava ou tinha alguma coisa com Jérémie, e que agora no seu retorno traz esse assunto à tona novamente.
E tem mais um complemento deixado pelo diretor francês: O abade Griseul (Jacques Develay) também começa ir todos os dias na casa da viúva tomar um café e jogar conversa fiada por causa da chegada do jovem rapaz.
Até trocar de lado no confessionário ele trocou, colocando o rapaz em seu lugar e ele no papel de confessor.
A partir de todos os personagens em campo conforme descrevi, ciúmes daqui, desejos dali, algo muito impactante, a hora perigosa do filme, acontece na pequena vila.
E mesmo com esse fato importante, os personagens ainda se espremem, se ajeitam, para confortar o seu eu e não aos fatos propriamente dito.
Assim, o desejo impera, e o profano abre e escancara as portas do sagrado, que não tem vergonha alguma de se mostrar.
E assim, todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.
Muito bom e uma boa reflexão.
Recomendo !
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