Powered By Blogger

segunda-feira, 10 de junho de 2019

"VaiVém" OU Exposição no CCBB-SP




Fui conferir a exposição " Vaivém" no CCBB, que tem a curadoria de Raphael Fonseca e tem o objetivo de mostrar as relações entre as redes de dormir e a construção da identidade brasileira.

Ficou diferente para mim, perceber e entender o real significado de deitar em uma rede.


Não é só deitar naquela estrutura mole, de pano, tecido, ou outra composição e ter aquele vaivém característico. Existe toda uma história por trás desse deitar e desse movimento.

História essa que vai desde o descobrimento de nossas origens, com os ameríndios, passando por cada povo  e cultura e em cada região e estado do Brasil, com uma característica peculiar de cada um deles.


Me lembro delas em peças de teatro, onde no nordeste, os corpos eram levados dentro delas ...


A exposição traz mais de 300 obras, de 140 artistas, incluindo os indígenas.


Aliás, a obra mais interessante delas está no cofre do CCBB, aquele espaço lá embaixo que sempre nos traz uma intervenção .

Lá estão instaladas redes pretas em forma de cachos, com uma luz escura, sem som, sem movimento, traduzindo os índios que foram assassinados de forma arbitrária em algum dia e em alguma parte de nosso país.


O educador me disse que muita gente tem medo de entrar , não quer ver a instalação.

Voltando às redes, você vai poder observá-la em todos os andares do CCBB, de todas as cores e tamanhos e disposições .


Valeu a pena!

Eu recomendo !


PS: Você pode experimentar a deitar em algumas delas no piso térreo e tirar uma foto da exposição .

"Aeroplanos" OU Peça de Carlos Gorostiza no Teatro Eva Herz



Comecei a minha semana teatral em São Paulo assistindo à peça " Aeroplanos " de Carlos Gorostiza, com um texto traduzido para o português e mostrada no mundo inteiro.

Em cartaz desde 2017, Aeroplanos tem um texto simples, traduzido por Antônio Petrin , fácil e popular, o que atrai de certa forma o público para assisti-la.


O título em princípio nos remete a uma banda, El Aeroplano, que tem uma valsa belíssima, adorada por um dos personagens em cena.

Depois, vamos também observar, que o final dos dois personagens será também em pegar um aeroplano ou avião e partirem para a felicidade ...


O espetáculo começa na casa de Chico ( Antônio Petrin) um velho já bem marcado pela vida ex jogador de futebol e viúvo, que tem suas manias e rabujentices, e que costumeiramente recebe a visita de um grande amigo seu, também ex jogador de futebol e também viúvo Cristo ( Roberto Arduin).

Assim, a amizade dos dois é o mote da peça . Eles discutem, contradizem um ao outro, mas, se adoram, e mesmo com algumas diferenças Cristo está lá todos os dias para ver como está o amigo , que aliás, aguarda um resultado de exame definitivo, que lhe dirá o futuro de sua saúde.

O problema é que Chico não foi buscar o exame, ou se foi não quer ver o resultado, para que não estrague sua felicidade em viver. Mas Cristo quer saber o resultado, está preocupado com o amigo.


Nesse ínterim, os dois relembram fatos do passado, dos campos de futebol, histórias, e também falam de suas mulheres.

Nesse papo, rola até confissão de traição de um deles, fato esse surpreso, pois se achava isso impossível vindo de quem veio.

Outro assunto discutido é o abandono da família com o idoso, fato esse que será solucionado com uma viagem surpresa para ambos .

Chico tem um neto, que tem uma banda e está de viagem marcada para o exterior para uns shows.


Assim, ele atende o telefone e dá os recados para o neto perfeitamente. Falando em telefone, não é que o ator não errou sequer uma vez o ato de ligar para atender e desligar quando acaba a conversa , o telefone. E olha que ele tem 80 anos. ( que beleza, que inveja boa ).

O café também faz parte da cena, e da relação entre os amigos, que também jogam alguma coisa no tabuleiro.

Compondo o cenário, uma rede, fazendo menção ao passado futebolístico dos dois amigos e um retrato da esposa que faleceu, além de uma multi mesa, que vira até vitrola para colocar o disco do El Aeroplano e duas cadeiras, além de uma bateria e alguns instrumentos musicais.

Quiça tivéssemos sempre uma amizade assim como a de Chico e Cristo, acho que isso daria um prazer muito grande . Pena que não é assim que acontece...

Gostei muito da peça, e principalmente de ter conhecido o trabalho de Antonio Petrín e Roberto Arduin ( O Tio da Sukita) .

Valeu a pena !

Eu recomendo !

"Cinemateca Brasileira" OU Excelente Espaço Cultural, Que o Vento Não Levou !



Mesmo que você não vá para assistir a um filme, deve ir conhecer a Cinemateca Brasileira, na Vila Clementino, em São Paulo.


Tem um prédio muito bonito logo de cara, todo de tijolinhos, que já vale a visita. Você entra, e dá de cara com uma biblioteca, com vários livros sobre sinema.


Olha esse painel com várias referências nacionais com destaque para esse Zé do Caixão !



Há também um café , e claro alguns lugares para apresentação de filmes, inclusive um externo, com um telão gigante.


Há ainda, na parte externa, uma área verde, com um laguinho com peixes, e algumas obras contemporâneas, que valem uma foto.


Parece-me que foi um antigo matadouro e somente depois um lugar para filmagens de cinema e hoje um museu com preservação de material cinematográfico e muito mais, além de um espaço cultural.


Para aproveitar mais, vejam a programação de eventos e filmes para que sua visita fique melhor ainda.


Valeu a pena!


Eu recomendo !

"Casa Modernista" OU O Marco da Arquitetura Modernista brasileira



Fui conhecer a Casa Modernista,projetada pelo arquiteto russo Gregory Warchavchic, em 1927, residência que fica no Bairro da Vila Mariana, e que foi moradia dele e sua esposa Mina Klabin.


O russo fez todo o projeto da casa, deixando o paisagismo para sua esposa.


Foi um disparate na época, pela falta de ornamentos, pintura discreta e formatos quadrados, até então arquitetura inédita no Brasil.


O terreno tinha 13 mil metros quadrados, tinha uma enorme piscina, jardins, eram realizados sessões de teatro, mas, a família recebia apenas amigos muito íntimos, como Lasar Segall.


Gostei da sala, da escada, do banheiro, e toda a disposição, com um pé direito bem alto, e sempre com aberturas para o jardim e o exterior .


Vale a pena fazer esse passeio e conhecer um pouco da São Paulo do passado e de seus moradores .

Eu recomendo !

"Tarsila do Amaral" OU Exposição no MASP



Fui conferir a exposição que tem filas enormes no MASP, onde Tarsila do Amaral é a personagem principal.

"Sou profundamente brasileira e vou estudar o gosto e a arte dos nossos caipiras" , palavras de quem foi a musa do modernismo brasileiro.


Tarsila, que estava no exterior , chegou ao Brasil 4 meses após a Semana de Arte Moderna, mas, mesmo assim, se juntou aos amigos Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Oswald de Andrade  e Mário de Andrade, para formar o "Grupo dos Cinco", que agitou a arte no Brasil.

Tarsila coloca os temas brasileiros em sua tela, mesmo com o boom da escola europeia, fazendo assim, com tons fortes, um jeito para falar do seu país, sendo um marco na imagética nacional, onde a arte brasileira caminhou para encontrar uma luz própria.


Tarsila que se casou na época com Oswald de Andrade, falava francês, inglês, catalão e italiano, além do alemão. Tocava piano e adorava música clássica, além de se vestir com os melhores costureiros da época.

Quando chegava em uma recepção, parava o trânsito , tamanha era sua formosura. Apresentou a caipirinha para os franceses e de forma o geral, o Brasil para o mundo .


Como obras principais da exposição, claro, temos o Abaporu, o Manteau Rouge , Carnaval em Madureira, O Mamoeiro, Cartão Postal, Floresta e muitos outros.


O que chamou interessante, foi a curadoria ter colocado na mesma sala, quadros com auto retratos dela e de Oswald, Mário de Andrade e também de uma Negra, no quadro " A Negra", fazendo esse contraponto e deixando todos na mesma posição .


Também interessante, foi que na sala onde está exposto o Abaporu, nota-se bem ao lado e com grande destaque a tela : O Batismo de Macunaíma.

Me intriga muito sua tela  " Operários", pois queria saber quais os rostos conhecidos ali. Me vem à cabeça apenas Oswald de Andrade e os outros ?


Há também a tela " O Pescador", onde veio do Museu Heritage em São Petesburgo direto para a exposição .

Mas, a tela que mais eu gosto é " 2ª Classe" , que parece-me retratar mais caracteristicamente o nosso povo.


Destaque também para a tela " Composição", de 1930, fase em que Tarsila já havia separado de Oswald e se encontrava sozinha .

Enfim, a exposição é uma das maiores já vista da artista. É imperdível, todos têm que ver .


Valeu a pena!

Eu recomendo ! 

"Tânia Mara" OU Grandes Sucessos de Novelas



Fui assistir ao show de Tânia Mara, intitulado de " Grandes Sucessos de Novelas" e que estrearia em Ribeirão Preto.

Com um telão e um design super legal , mostrando todos os nomes das músicas e de qual novela era o sucesso, Tânia Mara, cantou muitas canções que estão na boca do povo e que viraram hits .


Tinha de todos os estilos, românticas, dançantes, MPB, e claro as suas próprias canções que também fizeram sucesso em novelas, como " Se Quiser " de Páginas da Vida ; " Só Vejo Você" de Em Família .
Tânia Mara, também nos apresentou sua nova música que com certeza vai estourar nas paradas, além de um figurino impecável, mesmo que a impedisse de ficar totalmente livre, pois o mesmo enroscava no chão de madeira do teatro .


Tudo muito bom, quase 2 horas de show, cantando sem parar, sempre com muito entusiasmo e simpatia, interagindo com o público, tirando fotos, sendo muito agradável, tanto é que numa segunda feira, o público não arredava o pé enquanto não acabasse a música,

Tânia Mara trouxe a banda do Rio de Janeiro, o que fez com que o show tivesse mais brilho ainda e contribuindo para um bela noite de MPB no Theatro Pedro II.


No final, ela ainda recebeu os fãs para fotos e uma conversa.


Valeu a pena !

Eu recomendo !

segunda-feira, 3 de junho de 2019

"Homem Livre" OU Não Nessa Vida ...



Bem, para eu que não vi o espetáculo " Tom Na Fazenda",no teatro, sucesso com Armando Babaioff, pude me contentar com sua atuação no filme " Homem Livre", com a direção de Alvaro Furloni.

O filme, que tem o Rio de Janeiro como pano de fundo, e um bairro na periferia chamado Piedade, como notório ao caso; fala de um ex presidiário , condenado a 30 anos de prisão , na qual cumpriu o necessário e devido o seu empenho em estudos com a bíblia, sai da prisão e é levado no porta-malas de um carro para uma igreja evangélica do bairro a pedido do irmão.


O crime de Helio Lotte ( Armando Babaioff), cantor de uma banda que começara a fazer sucesso nas paradas, ninguém fala. Esperamos conhecer durante o filme .

Só sabemos que o pastor ( Flávio Bauraqui) vai dar toda a assistência a Helio, instalando-o no andar superior de sua igreja.


Os cômodos são pequenos, escuros, com luzes escassas, um TV de 14 polegadas que mal consegue pegar alguma coisa , não sei se muito diferente de onde ele saiu...

Com a palavra de Deus, o pastor e seu auxiliar Miguel ( Giancarlo de Tommaso), tentam acalmar Helio, dando trabalho a ele na igreja, a possibilidade de se encontrar com Deus a cada dia e aos poucos se inserindo nos cultos.


O objetivo do pastor é que a população perdoe Helio pelo seu crime. Helio acha que todos sabem quem ele é e o que fez não perdoando em momento algum.

O pastor lhe dá um celular velho que somente recebe ligações , e uma voz de mulher o adverte todos os dias, dizendo que ele está sendo usado, que não fazem nada de graça, que ele cairá em uma armadilha...


Em todos os momentos, Helio tem a impressão de que estão entrando na igreja, que o estão vigiando , para um dia dar o bote.

A chegada da garota Jamily ( Thuany Andrade), que toca e canta nos cultos, faz com a tentação fique bem perto de Helio, pois ela o seduz a todo instante.


Negócios do pastor com um tal de Miranda ( Marcio Vito), também incomodam Helio, achando que há algo de escuso na construção de uma nova igreja como quer o pastor.

Você fica atordoado vendo a aflição de Helio, e não sabendo o que irá acontecer. Será que aquilo tudo realmente é uma farsa ? Será que é coisa da mente doentia de Helio ? Tem gente que tem síndrome da perseguição ....


Esse clima e ambiente deixa o filme bem interessante, sem aquele clichê existente na maioria , o tornando diferente.

Gostei do filme.


Valeu a pena!

Eu recomendo !