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domingo, 23 de agosto de 2026

" 23.000 Vidas " OU Vislumbres Epifânicos

 Assisti ao filme alemão " 23.000 Vidas " de Markus Goller, que está na pré lista de indicados a Melhor Filme Estrangeiro por esse país ao Oscar de 2027 e que está disponível na Netflix.

O filme começa com um grupo de adultos jovens alemães que ao verem que muitos botes infláveis acabam por virarem no mediterrâneo e os refugiados acabam por morrerem, têm a ideia de tentar ajudá-los.

Como fazer isso?

Comprar um barco usado grande, botes, coletes salva vidas, mantimentos, e outras coisas mais e partirem para o mediterrâneo com uma equipe completa para ao avistarem esses botes, transferirem eles para o seu barco e depois avisar a guarda costeira do país em que estão para fazerem o resgate em situação de calmaria.

Bem, mas até comprar esse barco já é uma história. Lucas ( Louis Hofmann) é o cabeça do grupo e o idealizador do projeto. Ele que inicia os contatos, vai atrás do barco, e arruma uma primeira equipe para essa etapa.

Ele, a sua namorada Kitty, sua colega de quarto Nina e o fotógrafo Mauro, fundam a organização "Jugend Rettet" criam então a ONG Jugend Rettet (Juventude ao Resgate), de Berlim, que atuou ativamente entre 2016 e 2017 para resgatar refugiados que fugiam majoritariamente da Líbia pelo Mar Mediterrâneo.

Juntos, lançam uma campanha de financiamento coletivo e passam um bom tempo procurando um barco adequado, enfrentando todo o tipo de perrengue nesse tempo, até que um casal alemão decide comprar o barco para a ONG.

 Assim que o barco e o financiamento são finalmente garantidos, o projeto ganha impulso. E eles já podem sair para o mar, não antes dezenas de vluntários ajudarem a colocar o barco em ordem no quesito de elétrica, hidrodinâmica, infra-estrutura, pintura, e tudo mais , deixando -o perfeito para as missões da ONG.

É em Emden que o barco recebe seu nome: Iuventa , que em latim significa juventude.

Em um ano, a tripulação resgatou mais de 23.000 pessoas de barcos de borracha e madeira superlotados e em péssimas condições de navegabilidade, garantindo sua chegada segura à Europa. Foram resgates emocionantes, até de bebês de 6 meses. Teve óbitos que não conseguiram reverter, teve cidadãos que já tiveram sucesso e hoje têm emprego e cidadania na Europa, enfim ...

Acontece que o que parecia ser apenas uma ajuda aos necessitados, também incomodava um outro lado.

Aparecia uma grande  pressão política e em 2017,  o Iuventa foi atraído para o porto de Lampedusa pelas autoridades italianas e apreendido.

 A tripulação passou a ser investigada por facilitar a entrada não autorizada. Por traficar pessoas e ajudar os contrabandistas.

Parte da tripulação fugiu em um veleiro. E a outra pegou um voo de volta a Berlim.


Depois, durante vários anos de tribunal na Sicília, os réus, comparecem como testemunhas de defesa.

Eles testemunham em tribunal sobre o que a tripulação fez por eles e por outros durante a travessia, e que isso salvou as suas vidas.

No final, todos os réus são absolvidos.

O juiz considera que as provas apresentadas demonstram claramente que os alegados crimes não ocorreram . E que ajudar o outro que foge da tortura, da detenção arbitrária, da violência sexual e dos abusos em centros de detenção líbios,  e até da morte, não é crime.

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