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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

" O Último Azul " OU ´Relato Sublime Sobre Os Fantasmas do Tempo

 E já fui correndo assistir na Netflix " O Último Azul " de Gabriel Mascaro, filme que eu aguardava com ansiedade.

No filme, Tereza( Denise Weinberg), 77, mora sozinha, tem uma filha, trabalha em um frigorífico, é chamada na sala do patrão que a dispensa por sua idade avançada e por ordem do governo, que tem uma lei onde todos os idosos com determinada idade são recolhidos e vão para um lugar viverem às custas do Estado, largando tudo e todos na cidade ou onde vivem.

Muitos desses idosos até querem chegar a essa idade e irem para essa colônia. Tereza, não.

Ela é ativa, gosta de ser livre, comprar suas coisas, conversar, dançar, sair, ter amigas e não se vê presa em um local com velhos.

E tem mais uma coisa: Ela tem um sonho ainda não realizado: Andar de avião !

Guardou dinheiro a vida inteira para realizar esse sonho e agora quer fazê-lo antes de entrar para esse negócio.

Só que tudo na cidade eles pedem a carteira de identidade e ligam para o filho responsável para dizerem se aprovam ou não o que o idoso quer fazer. Compras, passeios, viagens, etc.

O idoso fica à mercê de seus filhos. Não tem mais pernas próprias. Não pode ir e vir.

Mas Tereza vai dar seu jeito e já que na sua pequena cidade não dá para comprar a passagem de avião, ela vai para uma cidadezinha próxima e vai voar de ultraleve, sugestão de um agente de viagem.

Foi o maior trampo também. Só conseguiu um barco pagando muito bem e na surdina.

E lá vai Tereza com Cadu ( Rodrigo Santoro), o barqueiro. A viagem é longa. Eles conversam sobre a vida. O barco tem que parar por causa de perigo no rio. É, o rio se fecha também.

Tem a história do líquido azul que sai do caramujo e Cadu o coloca no olho como se fora um alucinógeno e fica doidão.

Tereza só observa tudo isso, mas chega na cidadezinha.

Vai direto à barraca do ultraleve, e fica sabendo que está sem sair pois o motor está quebrado, faltando peças para ser consertado.

Ela paga as peças e o negócio não sai.

Tereza faz uma amiga, uma senhora, Roberta ( Miriam Socarras), dona de um barco que circula livremente pelos rios e não tem essa de ter que ir para a colônia.

Elas vivem uma linda jornada pelas águas calmas do rio e Tereza segue sua vida.



O que pensamos de tudo isso ?

Do programa fantasioso do governo? De uma analogia do cuidado ao idoso ? De eles estarem reféns aos filhos no final da vida? De que alguns mesmo tendo auto suficiência em terem suas vidas são obrigado a se submeterem a viverem onde não querem?

As cenas do barco com Cadu e Tereza são maravilhosas. 

Destaque para a música Rosa dos Ventos interpretada por Maria Bethânia.

Gostei. Na Netflix.

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