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terça-feira, 25 de abril de 2023

" O Suplente " OU A Literatura Não Serve Pra Nada ?



 E vamos ao filme " O Suplente " de Diego Lerman, que foi exibido nos festivais de San Sebastián e Toronto. e esteve na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O filme já entra com a substituição de Lúcio ( Juan Minujin) em uma escola do subúrbio de Buenos Aires, substituindo a um grande professor, o chileno ( Alfredo Castro), que por acaso é o seu pai.

Em uma fase conturbada de sua vida : Acaba de separar da esposa Mariela ( Bárbara Lennie), compartilha a guarda da filha adolescente Sol ( Renata Lerman) e mora sozinho começando essa nova etapa em lecionar em uma escola problemática e com alunos mais complicados ainda.

O início foi terrível, a não aceitação da literatura e do próprio professor foi péssima, mas, ele não desiste, conta com a ajuda de outra professora mais antiga( Maria Merlino) e segue em frente.

Faz um contato com o aluno Dilan (Lucas Arrua), que o encontra trabalhando no espaço comunitário do próprio pai e acaba por fazendo um vínculo.

A escola tem problemas gravíssimo com drogas, e uma busca é feita, fazendo com que um aluno fosse levado e outros sumissem do local.

Tenho que falar que há duas facções no bairro, uma liderada pelo atual prefeito que tem o apoio de seu pai e outra pelo Cachorro, que quer se candidatar para ser o novo prefeito local.

Vivendo cada dia e mais apagando incêndio do que ensinando literatura, Lúcio se vira nos 30 para salva Dilan das garras das drogas.



O filme com certeza poderia se passar em qualquer periferia de uma cidade brasileira.

Valeu. Na Netflix !

" O Ódio " OU Juventude Francesa X Polícia



 

Fazia muito tempo queria assistir a esse filme " O Ódio " de Mathieu Kassovitz, que está em uma grande parte de listas de cinéfilos e críticos de cinema.

Mesmo o filme sendo de 1995, e sendo o primeiro do diretor que se notabilizou e ganhou prêmios com ele, é uma obra prima, principalmente na cinematografia e atuação dos atores, que nos traz Vincent Cassel bem novinho.

O filme tem a crítica social da xenofobia, do racismo e do poder que a força da polícia usa em relação aos jovens da periferia parisiense.

É uma guerra interminável, um ÓDIO que atinge as duas partes, destruindo famílias e contribuindo para o abismo social existente naquele país.

Três adolescentes: Vinz (Vincent Cassel), que é judeu, é o mais raivoso dos três; Saïd (Said Taghmaoui) fala mais besteira e Hubert ( Hubert Koundé) é negro, e o mais maduro, que canaliza a sua raiva através do boxe.



Os três passaram a noite toda em conflito com a policia, depois que Abdel Ichah, um árabe de 16 anos e amigo deles, fica em coma após ser espancado durante um interrogatório.

O que se vê é um combate diário entre a polícia e esses jovens, às vezes do nada, sem motivo algum e que pode resultar em morte. Fora os grupos de extrema direita, como os skins que também gratuitamente querem extinguir negros, pobre, árabes e homossexuais de Paris.

O filme não é fácil e palatável, mas também não é essa a intenção. As cenas, a fotografia, a dinâmica dos personagens e os motes são os seus pilares.

Valeu. No MUBI ! 

quinta-feira, 20 de abril de 2023

" Broker - Uma Nova Chance " OU Venda de Bebês


 Por ser um dos queridinhos da crítica, assisti ao filme " Broker - Uma Nova Chance "dirigido pelo  japonês, Hirokazu Kore-eda, estrelado por Song Kang-ho( Ha Sang Hyeon) , Gang Dong-won( Dong Soo), Bae Doona ( Soo Jin), Lee Ji-eun( So Young) e Lee Joo-young( Lee) e Im Seung-Soo ( Hae Jin).

A história é simples, mas um pouco complexa no entendimento das imagens segundo a minha percepção. Parei por duas vezes até o final do filme, que é longo e tem uma dinâmica um pouco lenta, pegando mesmo na terça parte final.

Dois amigos Ha Sang Hyeon e Dong Soo, fazem o papel de atravessadores, de venda de bebês para casais ricos que não podem ter filhos.

O último bebê dá trabalho a eles pois a mãe biológica( So Young) aparece e acaba seguindo a jornada da venda do bebê com eles.

Somado aos três, ainda temos a criança Hae jin que rouba a cena quando aparece, também filho de pais desconhecidos e que vive órfão e vagando como todos os outros.

So Young ainda tem um outro segredo que fez com que jogasse fora o filho recém nascido, que é uma graça.

Para complicar a trama, esses vigaristas estão sob a supervisão das detetives Lee e Soo jin, que estão sempre os acompanhando para fazerem a prisão no flagra.

O filme tem os seus simbolismos, tem detalhes que somente o cinema japonês te entrega, e atores sensacionais como Song Kang Ho.

Mesmo sendo um slowly movie valeu a pena assisti-lo.

terça-feira, 18 de abril de 2023

" Segunda Feira " OU Muita Libido e Sexo na Grécia



 

Mais uma resenha descritiva, agora do filme " Segunda Feira " de Argyris Papadimitropoulos, que me agradou bastante.

Mickey ( Sebastian Stan) e Chloe ( Denise Gough) são americanos e estão na Grécia, em Atenas já algum tempo.

Mickey é um DJ frustrado, está tentando continuar no mundo da música, que se iniciou nos EUA com uma Banda, mas ele mesmo se desvencilhou e tentou uma carreira solo.

Aqui na Grécia, vive na casa da avó de um amigo grego que fez, faz bicos em algumas festas, tem um filho de 6 anos com uma grega que não o quer por perto e nem que ele veja o menino, e vive nessa vibe.

Certo dia, Chloe, totalmente bêbeda desperta o olhar de Mickey em uma festa, e os dois acabam ficando, dormindo pelados em uma praia e acabando presos na delegacia por isso.

Era um começo de uma grande paixão. Deu match mesmo entre os dois.

Ah, Chloe é advogada, saiu de um último relacionamento ali mesmo em Atenas, meio abusivo, e retornaria no dia seguinte para sua terra para um emprego que a esperava.

Parece que esse novo corpo masculino a faz mudar de ideia, e até mudar de casa. Sim, os dois vão morar juntos e compartilhar suas vidas.

Deu certo ?

Muito sexo mesmo entre o casal é o que mais chama a atenção no filme, além de festas e muita música boa.

Parece ser tudo liberado por lá. Só que não.

Já tinha visto falarem desse filme lá atrás e que bom que entrou na Netflix. Já conferi. Vai lá !  

Destaque para " I Feel Love " de Donna Summer.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

" O Duque " OU Um Goya Roubado da National Gallery

 

Assisti ao filme " O Duque" de Roger Michell, que está no streaming da HBOMAX, que baseado em fatos reais, conta a história de Kempton Bunton, um taxista de 60 anos que rouba um quadro pintado por Goya, " O Duque de Wellington", da National Gallery, em Londres.

Bom, fazendo um parênteses, o Duque de Wellington, foi um general britânico que derrotou o exército de Napoleão Bonaparte. Goya pintou esse quadro entre 1812 e 1814.

Voltando ao filme Jim Broadbent que faz o Sr. Bunton e é casado com Doroty ( Helen Mirren), arrasa no seu papel, dando vida ao personagem e ao filme.

Bunton certo dia aparece em casa com a tela de Goya, e pede ao seu filho Jackie ( Fionn Whitehead) para escondê-la da mãe, que não iria ficar nada contente com a história.

É que ele estava sendo cobrado por ter uma licença para ter a televisão em casa e a BBC, e não queria pagar esse tipo de imposto. 

Com o quadro, queria chamar a atenção do governo inglês e em troca tirar dos idosos essa taxa abusiva.

Pelo fato de ter a TV e não a licença, já passara alguns meses na cadeia.

No retorno, sua futura nora descobre o quadro em sua casa e o chantageia, fazendo com que ele devolva o quadro ao museu no mesmo dia e seja indiciado por roubo.

Chega a fase dos tribunais, dos advogados, da cadeia novamente, da não aceitação de sua mulher pelo ocorrido, e do apoio do filho Jackie.

Foi repercussão na TV britânica, todos sabiam da história de Kempton Bunton e o roubo do quadro.

Gosto sempre dos finais desses filmes que mostra no letreiro o que sucedeu com os personagens. Bem interessante.

Vale a pena! Na HBOMAX.


" Batem A Porta " OU Os Mensageiros do Apocalipse


 E fui conferir o novo filme de M. Night Shyamalan, " Batem a Porta ", que tem uma cabana em um local bem isolado como pano de fundo, e uma família formada por dois pais e uma filha adotiva.

Período de férias e Eric ( Jonathan Groff) e Andrew ( Ben Aldridge), saem com seu carro juntamente com a filhinha Wen ( Kristen Cui) para uma cabana bem legal no meio do nada.

Lá, ela começa a caçar e guardar seus gafanhotos para estudá-los enquanto os pais descansam e aproveitam o período.

Mas essa pasmaceira vai durar pouco, pois surge no meio do nada, o bruta montes Leonard ( Dave Bautista), que conversa primeiro com Wen, se apresenta, faz amizade e diz que terá que entrar na casa dos pais para anunciar um grande dilema.

Nesse momento, chegam ainda os 3 amigos de Leonard : Redmond ( Rupert Grint), Adriane ( Abby Quinn) e Sabrina ( Nikki Amuka Bird).

Wen avisa os pais para entrarem na casa e não abri-la de jeito algum. Isso tem um tempo, até que os 4 mensageiros, que tiveram uma visão do fim do mundo entrem e façam o anúncio.

Leonard diz que a família terá que sacrificar uma pessoa para que o mundo não acabe.

Eric e Andrew não caem nessa. O caos começa a se instalar tanto na cabana com a morte dos mensageiros um a um quanto da população lá fora que sofre com as consequências.

E vem mesmo o apocalipse ?

Como você agiria?

Lembrei de minha passagem em Patmos na Grécia, na casa onde João escreveu o livro do apocalipse quando estava preso e já bem velho.

O filme te dá essa possibilidade de verter à história da bíblia e também te cutuca pelo fato de a família escolhida ao sacrilégio ser de um casal homossexual.

Gostei da atuação de Dave Bautista, assim como da garota Kristen Cui, uma graça.

A música do filme que toca os personagens centrais é " Boogie Shoes " de KC and The Sunshine Band.

Valeu !

"Shall I Compare You To A Summer's Day? " OU O Queer Egípcio

 


Por indicação de um cinéfilo e blogueiro, e um ótimo escritor sobre filmes, principalmente queer, assisti ao egípcio "Shall I Compare You To A Summer's Day? " de Mohammad Shawky.

Não espere um filme com um roteiro e uma história de início, meio e fim, pois o que nos entrega é muita cor, música e entrevistas com homens árabes que se colocam nessa identidade tão contestada em seu mundo.

O pano de fundo é o Clube Scheherazade, onde homens se montam, usam suas roupas próprias e se divertem no oriente.

E aí o que temos é uma contação de histórias desses homens, de prazer, sexo e desejo de serem livres apesar de estarem em um país totalmente averso a esse tipo de comportamento.

Valeu pela curiosidade de ver um filme egípcio e também de algumas cenas provocantes e ousadas.


" Conte-me Sobre Você " OU Deliciosamente Bom



 Me surpreendeu o filme da Prime Vídeo " Conte-me Sobre Você " de Jose Eduardo Cortes Moreno.

O filme traz o jovem Chava ( Germán Bracco), que tem um grupo de 3 amigos inseparáveis na escola, e filho de um casal que o pai não é muito presente em casa. Fica uma semana e viaja a negócios a outra, trazendo um grande incômodo em sua mãe e no próprio Chava.

Na escola, Chava recebe em seu celular uma mensagem de uma admiradora secreta com o codinome de " Brujita " , se insinuando para ele e querendo algo mais.

Chava faz uma aposta com seus amigos, que querem que ele arrume uma namorada rápido.

Eles vão à uma festa e Chava fica esperando a garota misteriosa, achando e suspeitando ser Mariana ( Isidora Vives), uma das mais belas garotas da escola.

Chava se decepciona, bebe muito e dá PT.

Todos gravam sua cena e depois fazem chacota na escola. Essas cenas com os alunos grudados nos celulares mostram muito o tempo em que vivemos.

Só que tem um cara que se destaca nessa zorra toda. Carlos ( Martín Saracho), gay assumido, e colega de classe de Chava, o consola, e leva o rapaz para conversar sobre o que tinha acontecido.

Chava passa a ter um amigo diferente e tratar de seus assuntos familiares com ele. 

Essa história da admiradora secreta, de seu pai ser ausente, o faz desconfiar de algo. Carlos então é o amigo que o ajuda a descobrir tudo isso.

Foi uma bomba na cabeça de Chava. Além de descobrir algo sobre o passado de seu pai, acaba descobrindo algo sobre si mesmo.

O filme tem a fase ruim de Chava com todo esse processo e depois o pingo nos "is", onde ele, mais centrado e ciente do que quer e do que a vida lhe trouxe como verdade, seja mais feliz.

Gostei demais do filme e da história dos pinguins.

Destaque para a trilha de " American Pie" com Don McLean

Assistam! Na Prime Video.  

"Medusa " OU A Gangue das Mulheres



 Assisti ao filme nacional " Medusa " de Anita Rocha da Silveira, que tem um início bem impactante.

O longa tem um grupo de mulheres jovens, que se reúnem para fazerem a limpeza social do local em que vivem através da religião que seguem.

Elas não aceitam mulheres pecaminosas, prostitutas, oferecidas e outras mais, e são servas de Deus e parceiras dos Vigilantes de Sião, grupo de rapazes que agem da mesma forma.

Todos seguem o pastor ( Thiago Fragoso), que faz o seu culto, que prega de forma bem assertiva, e que tem as meninas como coro, entoando músicas religiosas como versões de populares.

O uso do celular é visível entre todos, e elas têm lives como por exemplo " 10 tipos de selfies Gloriosas ", onde uma delas dá dicas de como utilizar-se do celular e não se esquecer do Divino.

A mais apedrejada de todas, desfigurando o seu rosto está desaparecida, e ninguém sabe o paradeiro de Melissa ( Bruna Linzmeyer).

Mariana ( Mari Oliveira), além de uma das componentes do grupo, trabalha  como profissional da saúde, em um local de pessoas doentes para tirar o seu sustento, com o intuito de encontrar Melissa nessa instituição.

O que acontece é que em uma das ações do grupo, Mariana é ferida na face e fica com uma grande cicatriz, o que lhe traz muita insatisfação e insegurança com a sua aparência.

Você fica se perguntando sempre a relação dessa história com a Medusa Grega, com o quadro de Caravaggio e com o momento atual em que vivemos.

Acredito que é boa essa deixa pois nos faz ler um pouco mais da mitologia grega, de seus significados e fazer um paralelo com religião e o mundo contemporâneo.

O filme não te traz um grande roteiro, mas tem uma cenas bem interessantes e intensas que valem a pena.



quarta-feira, 12 de abril de 2023

" Serial Kelly" OU A Heroína Marginal


Por que assistir ao filme " Serial Kelly" de René Guerra ? Por causa da Gaby Amarantos. Sim, gosto muito dela como cantora, e aqui, como atriz e cantora, já que faz parte de sua personagem no filme.

Gaby é muito simpática e carismática, e passa essa verdade. Adorei os momentos de fúria dela, a movimentação da cabeça e do corpo.


No filme, Kelly, que ganha a vida cantando em puteiros, bares decadentes, shoppings centers, parece que a cada lugar que vai, deixa a sua marca, um rastro de morte, sempre matando os homens que conhece e que lhe fazem algum mal.

Kelly não aceita ser desaforada por eles e paga em uma moeda cruel: Mata mesmo.

Só que ela passa a ser a mulher mais procurada ali das Alagoas, e a delegada Fabíola ( Paula Cohen) está no pé dela, faltando pouco para pegá -la em flagrante.

Um dos homens que ela conhece é Tempero ( Igor de Araújo), e esse também a engana, mas consegue enrolá-la ao ponto de ela usá-lo em sua fuga, cantando pelos rincões do sertão.

Será que essa série de mortes chegará ao fim ou Kelly continuará fazendo seus shows e matando seus homens?

Gostei .