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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

" Unicorns " OU Não quero o que a cabeça pensa, quero o que a alma deseja


Assisti a esse belo filme " Unicorns " de Sally El Hosaini  e James Krishna Floyd que nos apresenta uma triste história de sonhos com muita dor para esses que são considerados invisíveis por muitos.

Luke (Ben Hardy) acaba de fazer sexo no mato com uma mulher, ai para o centro em uma lanchonete, come o seu lanche e pede para ir ao banheiro.



Lá, ouve sons e ao abrir uma porta dá de cara com uma casa noturna asiática no seu melhor estilo, com shows ao vivo e muita diversão.

Foi ali que Luke ao olhar para   Aysha (Jason Patel) ficou louco e logo os dois saíram para fora para conversar e se conhecerem.



Ao dar o primeiro beijo, um fã entra no meio e pede uma selfie para Aysha.

Luke percebe que o que tinha visto não era o que tinha pensado.

Temos um problema.

Ele vai embora, fica puto, mas marcado por aquele beijo, aquele ser que lhe fisgou, e muito mais.

Luke continua seu trabalho na oficina mecânica com o pai, quando Aysha aparece lá surpreendendo- o .



Ela faz um convite de que ele seja o motorista dela em alguns shows e dá uma boa propina para o serviço. Ele aceita.

Luke cuida e educa do filho pequeno sozinho. A mãe é ausente e não mora com eles.

A viagem para o show acontece, Luke acha engraçado, e parte para mais outra e outra e outra e aí você já sabe aonde isso vai parar.


Assista Unicorns, veja esse diferente mundo indiano instalado em Londres longe da rígida cultura hindu e tire suas próprias conclusões.

" Dying " OU Um dos Melhores Filmes que Vi em 2024


E vamos para o filme " Dynig" de Matthias Glasner, que foi bastante recomendado nas redes por cinéfilos e tem 03 horas de duração.

O filme fala exatamente da morte, ou do processo dela, pois os pais de Tom ( Lars Eidinger) que é maestro e mora em Berlim, estão nessa faixa.

A mãe dele, Lissy ( Corinna Harfouch), não controla os esfíncteres, anda com auxílio de bengala e tem um câncer de vagina.

O pai, Gerd ( Hans Uwe Bauer) que tem Parkinson, já está em uma fase bem avançada, andando sem roupas, não reconhecendo ninguém, e sem autonomia.

A vida de Tom também é conturbada, pois vive com Liv ( Anna Bederke) que acaba de ter um filho de outro homem, Moritz ( Nico Holonics).

Ele está ensaiando uma peça composta por seu parceiro Bernard ( Robert Gwisdek) que é complicada, a orquestra é de jovens, e têm pouco tempo até a estreia .

Tom também tem uma irmã, Ellen ( Lilith Stangenberg), que trabalha em um consultório odontológico, e tem uma relação distante com seus familiares.

Bom, os fatos vão acontecendo, as peças mudando, mas o comportamento de Tom, Ellen é de surpreender a qualquer um por tamanha frieza às circunstâncias encontradas na vida.

Parece que estão anestesiados, não sentem, não ligam, não se importam.

Tem explicação? Talvez. A infância e a educação de Tom não foi a mais amada e desejada por sua mãe.

Prefiro não escrever mais nada sobre os acontecimentos no filme e deixar para que todos façam suas análises e reflexões a respeito.

Mas é um filmaço, um soco no estômago nas três horas que fiquei sentado assistindo, e está sendo difícil tirá-lo da cabeça.

Recomendo!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

" Eat The Night " OU Um Trágico Contemporâneo

 E vamos a esse filmaço " Eat The Night " de Caroline Poggi and Jonathan Vinel. O filme se passa na França e tem o traficante Pablo (Théo Colbi), que mora com sua irmã Apo ( Lila Gueaneau Lefas), apaixonada pelo jogo Darknoon, e que fica quase o dia todo na tela do computador e hoje é uma das maiores do cenário no jogo.

Ela vive a vida pelo jogo e o irmão também tem o seu avatar e briga com a irmã. Eles moram sozinhos, se viram, o pai é ausente e não vive na cidade.

Pablo vende suas balas em vários pontos da cidade, mas uma outra gangue está de olho nele e sempre dá pau entre eles.

Pablo em uma situação ruim, acaba de conhecer Night ( Erwan Kepoa Falé), que se juntou a ele, foi conhecer o local onde Pablo fabrica suas próprias drogas, ensinou Night, e os dois além de sócios viraram amantes e dos bons.

A química entre os dois é bem forte, mas o problema continua sendo o lado de lá, a outra gangue que não aceita que Pablo se infiltre no espaço deles.

O filme tem boas cenas entre Pablo e Night, boas cenas do jogo Darknoon trazendo a realidade para a tela, e também a Apo nesse meio todo dividida entre o amor do irmão e a perda dele para um outro homem.

Gostei bastante do filme. Achei atual, e naquela premissa de que se você vive na ilegalidade, um dia a casa cai e voc~e se ferra. Não tem jeito de seguir por muito tempo.

" In The Summers " OU O Amor é uma Coexão Interrompida. Não Há Ninguém perto de Você

 

Muito bom mesmo o filme " In The Summers " dirigido por Alessandra Lacorazza Samudio, que fez um bom filme em sua estreia na direção.

Ela traz um recorte de uma família disfuncional com separação de marido e mulher morando cada um em uma cidade e tendo duas filhas pequenas para compartilhar, que no verão vão para a casa do pai.

Sim, Violeta e Eva, as filhas de Vicente ( Residente) vão para a casa que a mãe de Vicente deixou para ele no Novo México, toda ajeitadinha, até com área externa  piscina.

As meninas adoraram passar esse verão com o pai que as levou  em vários lugares e até ensinou a jogar bilhar no bar da Carmen ( Emma E.Ramos).

Em um segundo verão, as meninas já estão mais crescidas e Violeta com muita personalidade corta seus longos cabelos e fica com ele curtinho. O pai já tem uma pequena mudança do verão passado. Ensina Violeta a fumar e outras cositas.

No terceiro verão, as meninas já adolescentes têm outra cabeça, nem tudo as agrada e o pai vem com mais surpresas, mas um infortúnio faz com que essas férias sejam mais curtas e marcadas para sempre.

No verão seguinte, somente Eva vem passar com o pai. Clima esquisito. Vicente tem outra mulher em casa e um bebê.

No final, as duas estão de voltas, já mulheres com seus objetivos e personalidades definidas e um pai que se não agrada pelo menos convive com as diferenças que vê em suas meninas. 

Violeta ( Isabela Mehiel) e Eva (Sasha Calle) são duas mulheres e donas de seus corpos e de suas vidas.

Filme muito bom para discussão, e análise, apesar de vermos apenas o lado do pai, e nunca conhecermos a mãe.

Recomendo!

domingo, 1 de dezembro de 2024

" O Menino e a Garça " Ou Ganhador do Oscar de Animação em 2024

 Finalmente criei coragem e assisti ao filme de animação japonês ganhador do Oscar em 2024 " O menino e a garça " de Hayao Miyazaki.

O longa conta a história de  Mahito, um menino de 12 anos que se muda para o campo após a morte da mãe durante a Segunda Guerra Mundial. A mãe foi morta por causa de um incêndio provocado por Aliados.

Ele segue a estrada com toda pompa para a mansão da outra mulher de seu pai.

Mahito tem dificuldades em aceitar o casamento do pai com a tia  ( porra meu, a irmã da mãe ?) e ao colocar os pés na casa, conhece a garça, que tem algo a ver com ele.



Certo dia, seguindo a mesma, ele entra em uma torre proibida e descobre um mundo fantástico, habitado por animais antropomorfizados e antepassados.

A garça que é uma espécie de guia/entidade que lhe trará a notícia de que sua mãe ainda vive e espera para ser resgata por ele no interior da torre.



Quando ele se recusa a acreditar na garça, ela some com sua tia, e aí sim ele vai atrás para ver o que realmente está acontecendo.

Outro fato importante é de que sua tia está grávida de um filho de seu pai, e por isso ele não pode deixar ela sozinha na torre.



O filme tem tantas simbologias, tantas figuras de linguagem, animais, personagens significando alguma coisa nessa nossa vida e em outra quiça, que cada um refletirá e fará o seu próprio ressiginificado assistindo ao filme.

Me lembou muito " A Viagem de Chiiro ", ja que Mahito também fez a sua viagem e teve em um outro mundo fantasioso assim como Chiiro.

Na Netflix essa pérola.   


" Meu Irmão E Eu " OU O Filme da Malásia na Corrida do Oscar 2025


Assisti ao filme " Meu Irmão E  Eu ", que está disponível na Netflix e é dirigido por Jin Ong, e é o filme que a Tailândia escolheu para ser o indicado à corrida do Oscar 2025.

O filme traz a história de Abang ( Wu Kang Ren) e Adik ( Jaclk Tan), que vivem de bicos para sobreviver e levar uma vida miserável na Tailândia, além de não terem nem identidade/RG.

Eles não sabem a história dos pais, se foi abandono ou não, e Adik  vive no submundo com coisas ilegais e mora com seu irmão Abang, que é surdo mudo , mas é correto.

Tem uma assistente social Li Jia En ( Serene Lim) que está empenhada em conseguir o RG de forma legal para os dois irmãos para que tenham sossego e consigam melhores trabalhos em Kuala Lampur.

Parece que é comum a prática de mulheres deixarem filhos jogados na Malásia para serem criados por outras pessoas.

O problema é que por um infortúnio, Adik comete um erro e tudo vai por água abaixo, fazendo com que Abang e ele tenham que deixar a cidade e fugirem para outro lugar.

Poucos dias depois após uma reflexão, Abang retorna à Kuala Lampur e finaliza a história com dignidade, se é assim que se possa dizer.

Um bom filme. Boas reflexões. Principalmente desse problema sócio cultural que tem a Tailândia.   



sexta-feira, 29 de novembro de 2024

" Ganymede " OU Cura Gay?

 Assisti ao filme " Ganymede " de Colby Holt Sam Probst, que trata daquele jovem rapaz educado e criado por pais religiosos, oradores em igrejas, que na sua maioridade começa a sentir desejos por outros homens e acha que isso pode ser uma anomalia.

Lee Fletcher ( Jordan Doww) é o bonitão sarado filho dos pais crentes, que descobre ser gay e estar apaixonado pelo gay assumido da escola o Kyle Culper ( Pablo Castelblanco).

O problema é que o pai dele o Lee ( Joe Chrest) e a sua mãe Floy (  Robyn Lively), querem fazer de tudo para que seu filho nem encontre mais esse garoto e pede a ajuda do pastor Poyer ( David Koechner), que foi um ex gay e se curou com a terapia do eletrochoque. E vocês acreditam?

Então, Lee passa a fazer sessões de ECT, mas não resolve nada, e há também uma historia do irmão de sua mãe ser gay e não ser aceito pelo marido dela, o pai de Lee, que o fez se suicidar no lago central da cidade.

Com relação ao título do filme, o pastor diz existir um tal de Ganimedes, demoníaco no corpo de Lee, e ele tem que exorcizá-lo. E na mitologia grega, é o contrário, Ganimedes é um homem lindo, que de tão bonito passou a servir o néctar aos deuses.

Acho que a discussão no filme fica por conta da ECT, que ainda podemos encontrar por aí e que é uma furada total. 

 

" Firebrand " OU O Jogo da Rainha


 E vamos a "Firebrand", o primeiro longa de língua inglesa do nosso Karim Ainouz.

Retornamos aos anos 1500, Inglaterra, com o Rei Henrique VIII, e Katherine, a sexta esposa do mesmo, já que as outras cinco algumas foram decapitadas, outras queimadas e assim seguia a fúria do tirano Rei com suas mulheres tudo conforme ao reino e ao clero.

Katherine parecia ser diferente das outras: Assumiu os filhos deixados com muito carinho educando e tratando como se fora os seus, e mantinha um relacionamento prático com o Rei ( Jude Law), com suas obrigações sexuais e de regente quando o rei se ausentava do castelo.

Acontece que Katherine ( Alícia Vikander) tinha raízes reformistas, queria que a bíblia fosse traduzida para o inglês para que mais pessoas tivessem o acesso e o entendimento, e prezava pela justiça.

Tinha uma amiga Anne, que vivia aos arredores do castelo pregando todas essas heresias e que a qualquer momento poderia ser pega e decapitada.

E assim Katherine, muito inteligente e perspicaz atuava na surdina, enquanto o Rei, com uma gravíssima infecção na perna, que com certeza o levaria à uma septicemia e morte a curto prazo, aguentava enquanto podia resistir.

É sempre interessante assistir filmes de época para entender o recorte daquele momento, a história daquele casal, daquele país no contexto e isso o cinema faz bem demais para a gente.

Gostei do filme do Karim, que não deixou nada a desejar de outros diretores que já incursionaram sobre o tema.

Na Prime Vídeo.    

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

" Meu Eu do Futuro " OU Amar, Verbo Intransitivo !

 

Assisti na Prime Vídeo o filme " Meu Eu do Futuro " de Megan Park. No início, achei que seria uma boberinha, mas pela indicação de um blog que sigo fui conferir mesmo assim.

E não é que me surpreendi. É uma graça. Temos coisas bobas e gostosas. Temos o amor. Temos o prazer, a risada, as brincadeiras juvenis, temos o chá de cogumelo, e temos um lindo cartão postal como  os  Lagos Muskoka, no Canadá.

Elliot (Maisy Stella), está vivendo seus últimos dias na fazenda dos pais, nesse ermo e pequeno lugar, antes de ir para a faculdade, em Toronto, no Canadá.

Com isso, ela e suas amigas ( Ro e Ruthie) vão dar uma volta de barco e dormir na floresta, fazendo uma fogueira e às custas de chá de cogumelo.

Cada uma reage de sua maneira, e Elliot, vê seu eu de 39 anos em sua frente ( Aubrey Plaza). Ela se apresenta, fala o que faz nos dias de hoje e dá alguns conselhos para que a Elliot de hoje mude e seja melhor.

E a principal dica é de que nunca ela conheça um homem de nome Chad e tenha nenhum relacionamento com ele.

Passado esse dia, Elliot tenta ser essa garota melhor passando mais tempo com os dois irmãos e com a mãe.

Certo dia, ao nadar no lago nua, encontra um rapaz, e espantada fica sabendo que seu nome é Chad e que ele está na casa de seu avô de férias.

Logo esse mesmo vai fazer alguns bicos para o pai de Elliot, que fica ensandecida com a coincidência e resiste a todo custo ter conversas com o rapaz.

Ah, lembrando que Elliot é gay e tem uma ficante no lago. 

As coisas seguem , os dias passam, e Elliot novamente cruza com Chad ( Percy Hynes-White). Parece ser algo diferente e algo que ela não conseguirá desviar de seu destino.

Tenta chamar o eu do futuro mas ela não responde. Só vem dias depois. 

Apesar de ser ficção, não gostaria que isso acontecesse. Muito chato ter que frear algo que irá acontecer naturalmente porque você já sabe que não terminará bem.

De qualquer maneira, eis o filme da Prime que com certeza você irá gostar. 

" Pedro "Páramo " OU Os Pesadelos da Memória


 Assisti ao filme da Netflix, " Pedro Páramo " de Rodrigo Prieto, adaptação do livro de mesmo nome de Juan Rulfo.

O filme começa com Juan Preciado (Tenoch Huerta) embarcando em uma jornada no deserto mexicano, até chegar na aldeiazinha de Comala, onde viveu sua mãe.

Pede orientação para um outro homem que anda por aquelas bandas que lhe indica o caminho.

Ele quer encontrar o pai que nunca conheceu, um tal de Pedro Páramo (Manuel García-Rulfo)  cumprindo o último desejo de sua mãe no leito de morte.


O homem diz que conhece e depois até diz que também é filho dele. Mas adverte que ele era cascudo, e que morreu fazia muitos anos.

 Juan chega na vila e não vê quase ninguém, mas encontra uma mulher que lhe oferece abrigo e conta alguns causos da época.

Depois, ele vai até a casa onde disseram que sua mãe tinha morado.

E aí, vamos a um flashback que conta direitinho, ou não a história desse fazendeiro e dono de todas essas terras e que mandava e desmandava de todos.



Com o jeito mexicano de ser, temos uma onda complicada de vai e vem de pessoas, mandos e desmandos, posses e desapropriação, que é custoso entender.

Assim, espero que quem for assistir tenha uma melhor compreensão da história, ou também não precise disso, como no meu caso.