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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

" Time " OU Deixe a Dor Por Minha Conta




 Por indicação de um canal de filmes, assisti ao documentário " Time " da Amazon Prime Video, e para mim, foi a surpresa positiva do ano.

Mexeu comigo mesmo, o que é difícil. Por se tratar de uma história verídica, mais força tem o vídeo ainda .

O documentário foi dirigido por Garrett Bradley e conta a história de Sibil Fox Richardson, que luta pela libertação de seu marido Roberto, que foi condenado por 60 anos.

Eles viviam uma vida normal, ela casou-se nova, com 16 anos, com o namorado da escola, tiveram filhos cedo, uma loja de roupas de hip-hop, mas, que de repente afundou , e atolado em dívidas, resolveram assaltar um banco.

Foram presos, obviamente. Sibil, fez um acordo, e acabou saindo da prisão logo, mas, seu marido Robert, foi sentenciado por 60 anos .

Sibil tem 6 filhos, e a última leva era de gêmeos, e depois um a mais. A educação , o zelo , a forma deles se apresentarem nos lugares, o sucesso em se formarem na odontologia, nas ciências políticas e outras, além do ativismo de Sibil na igreja, faz com que essa mulher mereça os céus .

Ela foi muito forte e guerreira, com direito a visitar seu marido apenas 2 x / mês e por apenas 3 horas , fez com que o sofrimento só piorasse.

E já se vão 20 anos, ela não entende porque não o soltam. Torcem para acabar o orçamento da cidade ( New Orleans ), mas, nada de alteração no processo dele.

E que novela para o juiz dar uma nova sentença. Nós sofremos com ela.

Que coisa mais bonita os filhos todos arrumados, de cabelo feito, em suas atividades profissionais e educacionais, e ela também, bem cuidada e vestida e sempre com muita educação e paciência ao falar com autoridades e coadjuvantes do processo do marido.

Fiquei muito emocionado com a saída do pai Robert, e ao chegar em casa ver seus filhos homens .

Aquele abraço mata qualquer um de amor .Que delícia!

O documentário tem seus períodos de flashbacks com vídeos gravados por Sibil, em todas as fases de crescimento das crianças, assim como pregações e orientações em cultos da igrejas e reuniões com pessoas, falando do sistema judiciário americano.

É um soco no estômago. Precisamos repensar . Para mim, fez muito efeito tudo o que assisti, e me marcou a frase que precisamos para de ranquear as pessoas .

Imperdível !

" SOG " OU Amar, Verbo Intransitivo.





Assisti ao curta metragem " SOG " do diretor Jannik Gensler, que tem a duração de 07 minutos, mas, tem muita mensagem para passar.

É bem bonito, com uma fotografia belíssima, e um sentimento que explode ao encontrar o outro.

Daniel Dietrich e Vincent Lang são os personagens do curta . Um está aberto ao sentimento e ao vínculo. O outro reluta consigo mesmo tudo isso junto.

Bonito curta metragem . 

"Triple Standard " OU Dueto para Um Só.



Assisti ao curta metragem  "Triple Standard " do diretor Branden Blinn, que mostra os conflitos dentro e fora de uma quadra de basquete.

O problema é que Crim (William Jennings), é homofóbico, e não aceita brincadeirinhas dentro do vestiário, principalmente na hora do banho.

E esse foi o problema: Uma treta no banheiro, onde um colega fez uma zoação e ficou muito mal para ele.

Crim é todo machista, mas, à noite vai dormir com D. ( Lee Amir Cohen), onde têm um caso há mais de 3 anos.

Não ficou muito claro se Crim é casado e tem filhos, parece que sim, e leva essa vida dupla.

O que D. não queria mais era o relacionamento tóxico dessa forma, agressiva e homofóbica, falando a todo instante que o relacionamento teria terminado.

Crim insiste, já que o ama e tem que mudar para continuar com o companheiro.

Uma boa reflexão para cabeças ainda doentes como Crim, que devemos encontrar muitos por aí.

Valeu ! 

domingo, 27 de dezembro de 2020

" Cabeça de Nêgo" OU Algemas do Ódio

 

Nossa, que massa ter assistido ao filme " Cabeça de Nêgo", do diretor Déo Cardoso. Falo isso por o ver em várias listas de melhores filmes de 2020.

Realmente o filme me surpreendeu positivamente. Ele conta a história de alunos, em sua grande maioria negros, em uma escola estadual, do Ceará, se não me engano, onde em certo dia de aula, um aluno negro, foi xingado.

Sim, Saulo Oliveira ( Lucas Limeira), foi xingado de negro, e acabou revidando fisicamente o seu colega, e isso fez com que o professor o quisesse para fora da sala de aula.



Mas Saulo, não aceitou essa condição e permaneceu lá até o término da aula, e pior, não foi embora para casa, ficando na escola sozinho somente com o vigia.

Foi aí que começou sua saga, perambulando pelos ambientes da escola, e mostrando as mazelas por vídeo para que todos pudessem ver o descaso do estado com a educação e com os alunos.



Muitos ratos na cozinha, barata, livros vencidos, uma nojeira no banheiro, com vazamentos, e tudo isso foi para as redes sociais.

O caso viralizou, e o conselho resolveu expulsá-lo da escola. 

Assim, os alunos vieram em peso, com reinvindicações  e ameaçavam tomar a escola se não fossem cumpridas.



Saulo continuava na escola, lendo livros dos Panteras Negras, emprestado por uma professora sua, e resistindo a tudo e a todos.

Ótimo filme sobre vários temas importantes na nossa sociedade, na nossa cultura e educação.

O que fazem com o dinheiro destinado à merenda? Quem supervisiona as validades dos alimentos ? Por que isso ?



Obra extremamente social e política que merece ser vista em toda sala de aula desse país .

Recomendo demais !  

" A Incrível História da Ilha das Rosas " OU A Utopia na Era da Incerteza




 

Era outro filme que me chamou a atenção na Netflix pelo seu ineditismo. " A Incrível História da Ilha das Rosas ", com a direção de Sydney Sibilia.

A Itália como pano de fundo : Bologna, Roma, Vaticano, Rimini , nossa que vontade de ir para todos esses lugares ...é muito charmoso e intimista.

O filme, se passa em Rimini, ou melhor a algumas milhas náuticas de Rimini, a ponto de não se considerar mais território italiano.

Era isso que queria o lunático engenheiro recém formado Giorgio Rosa ( Elio Germano), que já tinha até inventado um carro para ele.

Separado de sua namorada Gabriella ( Matilda De Angelis), ele tenta sempre a reconciliação, mas, esbarra nas suas loucuras, o que Gabriella não compreende e não admite.

Ele então, tem uma ideia de construir uma ilha de aço, lá no oceano, longe de Rimini, onde ninguém pode encher seu saco, e as regras serão do seu jeito.

Para isso, conta com a ajuda do também engenheiro e colega de turma Maurizio ( Leonardo Lidi), que praticamente financiou todo o projeto tirando dinheiro dos cofres da empresa do pai.

Eles realmente construiram a base e a concretaram no meio do mar. Depois encontraram a água, e pronto ! Está finalmente criada a Ilha de Aço , que depois da chegada do desertor alemão Neumann (Tom Wlaschiha), mudou o nome para Ilha das Rosas, construiu tipo uma discoteca, e barcos saíam de Rimini para lá, com duração de 20 minutos, onde todos poderiam fazer o que queriam, e do jeito que queriam, pois ali era um estado independente, e esse era o objetivo de Giorgio, criar um estado independente. Mandou carta ofício para ONU, foi para Strasburgo no Conselho da Europa, tudo isso para que reconheçam a sua ilha como tal .

Quem não gostou nada dessa história foi o governo italiano, que mesmo tardiamente, arregaçou suas mangas, e foi terminar essa brincadeira de playboy.

A ilha das Rosas existiu por um tempo, até que um puta de um Navio de Guerra, com bandeira italiana, retirou todos os tripulantes de lá e a bombardeou.

Era o ano de 1968, ano de muito barulho na Europa, que teve também a Ilha das Rosas. Ela foi oficialmente demolida em 1969.


sábado, 26 de dezembro de 2020

" As Mortes de Dick Johnson " OU Ajude-me a Lembrar


 

Documentário muito bem comentado e aparecendo em todas as listas do ano,  " As Mortes de Dick Johnson " , com a direção de Kirsten Johnson, é bem inusitado. Saiba porque :

Ele, é psiquiatra, tem 87 anos, e sofre de demência. Ela é sua filha, e cineasta.

Como perdeu a mãe recentemente para essa doença, e vê o pai caminhando para o mesmo caminho, tem a inédita ideia de fazer um filme, mostrando as possíveis mortes de seu pai.

Coisas que acontecem casualmente, ou por causa da memória, ela filma com a ajuda de um dublê, algumas possíveis mortes de seu pai.

Ele tem que mudar de Seatle para Nova York, morar com a filha, para além de gravar o documentário, ela poder cuidar dele mais de perto.

Ele é uma graça de pessoa, muito simpático, educado, carinhoso, gentil, que todos gostam .

O filme termina no seu ápice : Mostra o velório de Dick Johnson, na Igreja , com os familiares , amigos, caixão, homenagens e tudo mais.

E o melhor de tudo : O Dr Dick Johnson ainda está vivo na vida real !

Pelo ineditismo, por algumas cenas bem emocionantes entre o relacionamento de pai e filha, e apesar de tratar de um assunto que ninguém gosta : a morte, recomendo esse belo documentário da Netflix. 

" O Que Ficou Para Trás " OU Adivinhe Quem Vem Para Rezar

 


Também com grande indicação, assisti ao filme " O Que Ficou Para Trás ", do diretor Remi Weekes.

O filme mostra um tema da atualidade, como a migração perigosa, clandestina e ilegal dos africanos para a Europa de barco.

O que vemos, é que quase sempre não dá certo, o barco tomba, morrem os mais fracos e vulneráveis e os que vivem vão para uma prisão ou um abrigo temporário.

É o caso dos Sudaneses do Sul, Bol ( Sope Dirisu) e Rial ( Wunmi Mosaku), que conseguiram sobreviver, mas, a sua filha, não. Dela, trouxeram apenas a boneca.  



Depois de um tempo na prisão, eles saem e o governo inglês lhes arrumam uma casa bem fudida mesmo, em um conjunto habitacional.

Mas, ela é tão espaçosa que eles até perguntam se terão que dividir com mais alguém.
O problema é a sujeira, o lixo, os bichos e entulhos que lá restaram e outros mais que aparecerão com a chegada do casal .  


O casal está feliz, mas, as aparições, os fantasmas deixados para trás, as dívidas, seus antepassados, esses estão lá e bem presentes, deixando Bol horrorizado, louco com tantas aparições e terror causados por essas entidades.


Sua esposa Rial, já lida melhor com as aparições e não se importa muito, mas, está deprimida com a vida que leva ali, pois não é tolerada pela vizinhança, que não aceita os africanos e pede que eles retornem para o seu continente.



Os dias de Bol são um verdadeiro inferno, a ponto de ir no governo para pedir que lhe trocassem a casa, alegando a presença de ratos e outros bichos. 


  
Será que os sudaneses vão superar os fatos do passado e conseguirão viver em paz em seu novo lar na Inglaterra ?

" Circle " OU Fim de Papo

 

Assisti a esse filme da Netflix, por indicação de um canal, nomeando- o como um filme diferente de outros que assistimos.

Trata-se de " Circle ", com a direção de Aaron Hann e Mario Miscione, onde de repente, um grupo de 50 pessoas cai de paraquedas em um espaço, redondo, com luzes vermelhas, brancas, sons, e acordam um a um, percebendo que alguma coisa está por acontecer.

O jogo da morte ! 

Sim, isso mesmo, eles começam a perceber que estão presos, não podem sair do seu espaço e tentam descobrir, como as pessoas a cada 2 minutos morrem, são eliminadas do jogo e da vida.


Cada um vai falando alguma coisa, sugerindo algo, para tentar descobrir qual o mecanismo de escolha das mortes , qual a ordem de quem vai morrer primeiro.

E depois de um rápido tempo, chegam a conclusão que é tudo uma questão de escolha, que eles mesmos escolhem quem será o próximo a morrer.

Ou seja : Quem tiver mais votos, morre.

Mas, como será essa sequência ?

Os mais velhos primeiro , os doentes, os latinos , as mulheres, as crianças, os negros, os homossexuais, os que cometeram algum pecado, os solteiros, os que não têm filhos, os drogados, os assassinos , enfim, o jogo segue até que fique apenas 01 sobrevivente.

Isso é o que eles deduziram, e você ficará até o final desse jogo acompanhando tudo de perto, vendo as escolhas e se elas batem com as suas.

Interessante ... Vem mostrar o que as pessoas pensam disso e daquilo. Quais os seus critérios de escolhas.

Somos todos iguais ?

Onde ?

" A Vastidão da Noite " OU Em Algum Lugar Fora Desse Mundo


Com a direção de Andrew Patterson, assisti ao tão comentado " A Vastidão da Noite ", filme da Amazon Prime, e me surpreendeu muito.

Como todos disseram é aquela história, o menos é mais. Um filme simples, mas, muito bem feito, muito bem entregue ao expectador.


Parecia que eu estava ouvindo um áudio book , uma história fantasiosa de uma cidadezinha americana nos tempos da Guerra Fria, muito interessante, com depoimentos mais interessantes ainda de qualquer coisa.



O filme conta com a protagonista Fay ( Sierra McCormick), uma estudante promissora, que é a telefonista da cidade, mas, adora o rádio, comprou um gravador, e quer que o Everett (Jake Horowitz), lhe ensine como gravar, fazer entrevistas, e tudo mais.


 Mas, um som estranho na cabine de telefones, fez Fay levantar uma suspeita e pedir informações para as pessoas de qual som seria esse ?

Colocou Everett no meio da roda e os dois foram investigar o que estava acontecendo na cidade, que era dia de jogo de basquete no ginásio e todos estavam lá, mas, antes disso, já havia tido uma falha na energia elétrica e alguns viram algo no céu.

Os dois vão ao fundo para conseguir pistas e finalmente saber e entender o que acontece em sua cidade.

Muito bom mesmo, você tem até uma leve inclinação a acreditar que tudo isso existe de verdade. 

Valeu a pena !

Recomendo ! 

" Ya No Estoy Aquí " OU A Gangue da Música



Assisti ao filme mexicano, que está na Netflix " Ya No Estoy Aquí ", com a direção de Fernando Frías, que tem Monterrey, no México ,como pano de fundo .

O filme conta a história do pessoal do  Terkos, um grupo, uma facção, uma gangue, que tem na cumbia colombiana sua raíz.

Ulises ( Juan Daniel Garcia Treviño) é o personagem principal desse grupo, e todo estereotipado, com cabelo diferente, figurino diferente e dança diferente, eles treinam e lançam suas danças nas ruas e na quebrada de Monterrey.

Ulises e seus comparsas vivem no limiar da marginalidade, pois sem dinheiro para suas pequenas ambições, às vezes pedem nas ruas, às vezes chantageiam e roubam para terem um dinheiro para bebidas, drogas e para a música.

Ulises é endeusado na sua quebrada, e só se sente pleno, quando colocam sua música e ele dança . Parece estar flutuando, e não nesse mundo.

Mas, por um problema ocorrido, onde todos pensam ser Ulises um dos causadores, ele tem que fugir dali para não ser morto.

Assim, vai para Nova York tentar a vida, e conhece Lin ( Xueming Angelina Chen ), uma garota de 16 anos, que se encanta com seus cabelos e com seu jeito.


Ela o conheceu, porque Ulises foi fazer um trabalho para o seu avô para ganhar um trocado. 

Ele acabou dormindo por ali mesmo e Lin o ajudava como podia, já que o idioma era uma barreira muito forte para que as coisas caminhassem mais fáceis.

Você acaba entrando na vida de Ulises, de tanto sofrimento e dificuldade que ele passa fora de seu país e de sua quebrada, com seus amigos .

Não é fácil viver em um país que não fala sua língua e você ter que viver de favores , ou melhor sobreviver, não tomando banho, não se alimentando corretamente , vestindo as mesmas roupas e pedindo trabalho todos os dias .

Esse é o retrato mexicano, esse é o retrato da América Latina, esse é o nosso retrato. Com certeza, muitos irão se identificar com a história do rapaz de 17 anos .

Valeu, recomendo !