quarta-feira, 18 de outubro de 2017

"Sudoeste" OU Aos Amantes da Fotografia



Assisti ao diferente filme " Sudoeste" do diretor Eduardo Nunes, que demorou quase 10 anos para finalizá-lo.


Um filme diferente, já pelo formato da tela : de 3,66:1 , aquela espichada, e curta , além de ser em preto e branco.

A fotografia é maravilhosa e tem a assinatura de Mauro Pinheiro Jr. Um primor !


O filme tem todas as influências do diretor russo Andrei Tarkovsky, e o TEMPO  é o personagem principal , o protagonista , já que as cenas vão e vêm e sempre não saem do mesmo dia .


Só quem tem a progressão desse tempo é Clarice ( Simone Spoladore), que nasce, cresce e torna-se mais velha com as agruras desse tempo e de suas consequências.


Outro personagem forte do filme é o seu som : O barulho do moinho não sai da sua cabeça e às vezes se confunde com as falas dos personagens .


Filme para eu assistir novamente , ter uma nova impressão, afinal de contas, qum demorou quase 10 anos para finalizá-lo, não é em uma sentada que vou captar todas suas impressões.


Valeu a pena !

Eu recomendo ! 

"Vermelho Russo " OU Aulas de Stanislavski em Moscou



Assisti a "Vermelho Russo " do diretor Charly Braun , que tem como pano de fundo a linda capital da Rússia : Moscou.


É um show de imagens primeiramente para aqueles apaixonados por viagens , e também pela cultura de outros povos e países.


O filme, em tom documental , conta a história de duas amigas que vão à Moscou para fazer aulas de teatro no método Stanislavski, encarando com a cara e a coragem o frio, o idioma e os costumes desse estranho país gelado .


Elas fazem as aulas com um encenador russo, seguido de uma tradutora que dá as orientações em portugûes, com as broncas e elogios( menos) do diretor.


Martha Nowill ( Marta) e Maria Manoella ( Manu) são as excêntricas amigas que misturam suas vidas pessoais com as representações teatrais.


Não é fácil a adaptação no país, o idioma , a frieza e desconfiança dos russos , a distância dos entes queridos do Brasil.

Manu deixou o namorado no Brasil e se comunica com ele através do skype ( pouco).

Mas, de qualquer forma, as duas se estranharam em um possível triângulo com um diretor de teatro brasileiro( Michel Melamed) que lá estava também .


As duas chegam a um momento de stress, agredindo uma à outra , coincidindo com seus papéis na peça Tio Vânia.


Gostei muito de tudo : de Moscou , do idioma, das estações de metrô, das músicas , as aulas de teatro , das duas personagens que são bem carismáticas ...


Valeu a pena !

Eu recomendo !
 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

" Oriented " OU A História de 3 Palestinos Exclusos do Contexto



Interessante o documentário "Oriented" do diretor Jake Witzenfeld que conta a história de 3 ativistas palestinos gays e suas dificuldades na aceitação de suas orientações sexuais e patriotismo.


Eles moram em Tel-a Viv e  criaram o grupo Qambuta que tem como objetivo a criação de vídeos com mensagens políticas, sociais , mexendo com a formação ética daqueles que os assistem.


Khader, que tem um companheiro, David e seu dálmata Otis , é bem agitado, mas, um dos organizadores da criação dos vídeos.


Fadi, é o mais nacionalista e politizado dos três amigos. Não quer de jeito nenhum namorar um judeu, ou alguém que não seja influente na área da política, mas, o que lhe sobra, são exatamente essas pessoas, deixando -o em dúvidas de suas reflexões.



Naim, é o único que ainda não tinha saído do armário para a família , e o fez da forma mais covarde possível : por uma carta.


Os vídeos são super engraçados e bem feitos . valem a pena ,


O interessante é você observar as vilas árabes, as pessoas da família, os hábitos e costumes, as comidas, como eles fumam que nem uns loucos, as garrafas de whisky e vodca na mesa ...


Eu recomendo !

"O Último Cine Drive -In " OU Sonhos e Frustrações em Brasília



Fazia tempo queria assistir a esse filme, e tive a oportunidade agora com a netflix.


O Último Cine Drive In , do diretor Iberê Carvalho, conta a história de Almeida ( Othon Bastos ), que mantém o cinema há mais de 30 anos, sucesso na década de 70 , e que agora míngua com 1, 2 a 3 carros por sessão e está prestes a fechar.


Almeida conta com 2 funcionários seculares no cine: Paula ( Fernanda Rocha), que se vira com os lanches e pedidos dos expectadores e também da projeção dos filmes e José ( Chico Sant'anna) que fica na bilheteria e limpa o pátio.


Marlombrando ( Breno Nina), é o filho de Almeida com Fátima ( Rita Assemany) e mora em Anápolis, onde trabalha em uma empresa de peças .


Ele retorna à Brasília com urgência por causa da doença da mãe e tem que encarar o pai, com quem não tem tantas afinidades, devido a problemas do passado.



Fátima, está internada em um hospital do SUS, e descobriu-se um tumor . Agora , tentará alguma forma de remissão da doença com a quimioterapia e outros cuidados paliativos.


Marlombrando se divide entre o cine e o hospital, além de não dar a mínima ao pai .



A doença progride e os dias de Fátima estão chegando ao fim, além do Cine Drive In que também tem os dias contados.


Marlombrando tem um último desejo: Reformar , fazer uma maqueada no cinema para que a mãe possa assistir a uma última sessão.


Com um esquema feito com o enfermeiro do hospital, eles tiram Fátima da oncologia e a colocam numa ambulância e a levam até o cine.



Que felicidade !


O plano dá certo ...


Filme interessante .


Valeu a pena !


Eu recomendo !


"Eu Matei Minha Mãe" OU Estréia de Xavier Dolan como Diretor



Assisti ao filme " Eu Matei Minha Mãe" , que foi a estreia de Xavier Dolan como diretor.


Já havia assistido a outros filmes dele antes desse, portanto já sabia de seu estilo.


No filme, além de diretor, Xavier Dolan é Hubert , adolescente de 16 anos, rebelde, intransigente, reclamão, impaciente e imperdoável com sua mãe Chantale ( Anne Dorval ).



Desde o início é clara a insatisfação do jovem perante a sua mãe, que não perdoa nada, nem a roupa que ela usa, nem o patê que sujou um pouco a boca, nem na hora de leva-lo de carro para a escola.


É gritaria e xingamento toda vez que os dois estão juntos. Na mesa de jantar, em qualquer cômodo da casa, no carro, na casa de alguém ....é um inferno a relação de mãe e filho . E o pior é que a gente sempre lembra de alguém que é assim também aqui fora da ficção.


O filme mostra também através de flashs , momentos bons, quando o menino era criança , o que nos leva apensar que existe sim amor também nessa relação , apesar de que segundo Hubert, num questionamento feito pela sua professora, sua mãe tinha morrido .


Muito boa a atuação do jovem promissor e hoje consagrado diretor Xavier Dolan .


As cenas com seu "amigo" Antonin ( François Arnaud) são bem sutis, mostrando também a independência do jovem a fazer o que quer e na hora e jeito que lhe convir.



"... Imagino que às outras pessoas, odiar a mãe pareça um pecado. É uma hipocrisia. Estou certo de que também odiaram suas mães. Talvez um segundo ou todo um ano ..."


 Valeu a pena !


Eu recomendo !


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

"Flores Raras" OU Um Pouco da Vida de Elizabeth Bishop







Ontem assisti ao filme "Flores Raras" do diretor Bruno Barreto, e para minha surpresa, ele trazia uma breve história da fantástica escritora americana Elizabeth Bishop.






Elizabeth( Miranda Otto) com sua personalidade pessimista, desolada , se enche um pouco da América e vem fazer uma viagem para o Brasil para descansar sua mente , visitando uma amiga em Petrópolis.






Ao chegar na mansão de Mary ( Tracy Middendorf ), uma casa enorme, com um jardim e uma mata maravilhosos , Elisabath muda de ares.




Na chegada, sente um pouco o ranço da companheira de Mary , a arquiteta famosa Lota Macedo de Soares (Gloria Pires) , que dava patada  à revelia na americana.






Mas, com o tempo, toda essa agressividade foi explicada como um desejo, uma atração da arquiteta para com a escritora.




Ela não mais vai embora, pois Lota quer que Elizabeth fique, e as duas começam um romance.




Mary ?








Descartada na lata por Lota , fica desolada.




Paralelamente a essa história, tem o amigo da arquiteta, o político Carlos Lacerda(Marcelo Airoldi)que em pouco tempo, viria a se tornar Governador do Estado da Guanabara.






O filme foca um pouco no relacionamento de Elizabeth e Lota, assim como nas poesias e livros que a escritora desenvolve.






Em 1956, é aclamada mundialmente com o Prêmio Pulitzer.






Elizabeth tem sempre a sombra de Mary, que agora volta, e Lota promete uma criança para as duas.




Não dá certo na mesma casa um relacionamento e uma ex parceira andando por todo lado.




Elizabeth tem problemas com o álcool, e isso acaba com a relação .






Ela tem uma proposta de lecionar em uma Universidade Americana, e contra a vontade de Lota acaba indo embora, meio brigada .




Lota por sua vez, estava empenhada no projeto de conclusão de um parque no Rio de janeiro na gestão do amigo Carlos Lacerda : O Parque do Flamengo.




Com o golpe do estado, tanto Carlos Lacerda como Lota acabam por serem depostos do cargo .






Lota fica louca, depressiva e vai parar num hospício. Elizabeth está em Nova York .




Fica sabendo do estado da ex companheira e volta ao Rio para vê-la. Não deixaram.




Lota sai do hospício e vai à Nova York à procura de Elizabeth.






Linda fotografia . A casa é maravilhosa.




Valeu a pena conhecer um pouco da história da escritora.




"... A arte de perder não é nenhum mistério. Tantas coisas contêm em si o ambiente de perde-las, que perder não é nada disso.
      Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero, a chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais ... "




Eu recomendo !